Doença Hemorroidária

26/11/2014

Doença Hemorroidária

Antes de mais nada, é preciso diferenciar hemorróidas de Doença Hemorroidária, termos que geram muita confusão nos pacientes.

Hemorróidas são estruturas normais do corpo e todos as têm. Podemos, de maneira simplificada, entendê-las como redes de vasos sanguíneos (em geral, pequenas artérias e veias que se comunicam). São essencialmente duas “redes”ou “plexos” hemorroidários: as hemorróidas internas (que forram, internamente, o canal anal) e as hemorróidas externas, contidas sob a pele que reveste a margem do ânus.

A Doença Hemorroidária (DH) é uma alteração destes vasos, podendo ocorrer no plexo interno apenas (DH interna, ou DHI), no plexo externo (DH externa, ou DHE) ou em ambos (forma mista, ou DHM).

Dentre os seus sintomas mais frequentes, destacamos o prolapso (sensação de exteriorização das hemorroidas, especialmente durante o esforço de evacuar), a hematoquezia (o sangramento aparente com as fezes, ao evacuar, em geral indolor) e as crises de trombose hemorroidária externa, que podem ser de repetição. Didaticamente, podemos explicar a trombose hemorroidária como a formação de coágulos que se formam nas hemorroidas externas, caracteristicamente com tumefação local de instalação abrupta, com dor na maior parte das vezes e, eventualmente, sangramento. A trombose é bem mais frequente nas hemorroidas externas. Uma combinação de sintomas pode ocorrer, particularmente nos pacientes que têm DHM.

Diversos mecanismos procuram explicar a gênese da DH.  Aparentemente, uma dilatação e fragilidade dos vasos hemorroidários, em algum caso com comunicação importante das artérias e as veias (o que explicaria a tumefação destes), têm papel importante.

Recentemente, foi proposto o papel da perda de sustentação das hemorroidas dentro do canal anal, o que faria com que elas “escorregassem” para o exterior, fenômeno exacerbado pelo esforço crônico para evacuar e outros fatores, como carregar muito peso. Além do aspecto mecânico que “forçaria” as hemorróidas para a parte externa, a perda de colágeno – como acontece com o processo de envelhecimento – faria com que estas se exteriorizasse com mais facilidade. De fato, idosos e halterofilistas apresentam DH com maior frequência.

Por fim, o fato de o homem ter-se tornado bípede relativamente há pouco tempo (de um ponto de vista evolutivo), sem que tenha havido tempo para que o organismo se adaptasse ao efeito da gravidade sobre suas estruturas (o que gera diversos problemas, como hérnias de discos ou varizes) parece ter algum papel. Assim, haveria maior dificuldade de o sangue da parte inferior do corpo retornar ao coração, o que explicaria sua permanência, “enchendo“ algumas estruturas, como varizes nas pernas e as hemorróidas.

Ainda, no surgimento da Doença Hemorroidária, algumas situações particulares parecem estar implicadas, como alterações hormonais (particularmente nas mulheres) e gestação, por uma combinação de fatores hormonais e relacionados ao crescimento uterino.

Discernir DH de hemorroidas é importante, pois tem implicações importantes no tratamento. Mas é importante ressaltar que mesmo nos casos em que não haja DH, pode haver sintomas como sangramento. Especialmente nos casos em que haja grande esforço para evacuar e que as fezes saiam muito compactas e ásperas. Afinal, como vimos, hemorróidas todos temos.