Diverticulite: o que é e como agir?

09/08/2017

Primeiramente, devemos definir o significado de diverticulite. Diverticulite nada mais é do que uma inflamação, nesse caso, a inflamação de divertículos presentes no cólon.

Mas o que são divertículos? Divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, mais comumente em sua porção terminal, o cólon sigmoide. Os divertículos costumam surgir nas regiões da musculatura do cólon onde penetram os vasos sanguíneos que irrigam suas camadas mais internas. Os divertículos surgem devido a uma fraqueza da musculatura do cólon, associada a uma pressão aumentada no intestino ao longo dos anos.

Os principais fatores de risco são a idade, que favorece o enfraquecimento da musculatura do intestino e uma alimentação pobre em fibras, o que aumenta o trabalho muscular devido ao endurecimento das fezes e, consequentemente, o aumento da pressão no interior do intestino. Outros fatores de risco conhecidos são a obesidade e o sedentarismo.

Devido a isso, divertículos no cólon são bastante comuns na população adulta e tendem a desenvolver-se com a idade. Atualmente, cerca de 60% dos indivíduos com mais de 60 anos de idade têm divertículos no cólon.

Diverticulose

Constatada a presença de divertículos no cólon, podemos dizer que o indivíduo possui diverticulose ou doença diverticular.  Muitas pessoas sequer sabem ser portadoras da doença, pois passam a vida sem sintomas. Dentre os indivíduos com diverticulose, aproximadamente 70% a 80% permanecem assintomáticos. Dentre estes, alguns pacientes às vezes descobrem ser portadores de diverticulose por acaso, em exames de rotina (colonoscopias ou outros exames de imagem). Pacientes assintomáticos não necessitam de nenhum tratamento específico e podem ser apenas acompanhados e orientados em relação à modificação dos hábitos alimentares e inclusão de fibras na dieta, para prevenção de futuras complicações.

Diverticulite Aguda

Em alguns pacientes, a diverticulose pode se complicar por meio da inflamação dos divertículos, causando um quadro inflamatório agudo conhecido como diverticulite aguda. Atualmente, acredita-se que a principal causa das crises de diverticulite seja a obstrução de um divertículo por pequenos pedaços de fezes ou alimentos, que favorecem a proliferação de bactérias dentro do mesmo, promovendo a inflamação. Não existe evidência científica em relação ao fato de alimentos específicos causarem, ou facilitarem, a inflamação dos divertículos e o surgimento de diverticulite.

O diagnóstico é realizado através dos sintomas relatados, exames laboratoriais e de imagem. A tomografia computadorizada abdominal é de suma importância, pois permite a documentação de uma crise e detecta possíveis complicações associadas, como abscessos ou perfuração do cólon. Muitas vezes uma ultrassonografia é feita quando não é possível uma tomografia.  

Sintomas e tratamento da diverticulite

Cerca de 70 a 80% dos pacientes que desenvolvem diverticulite, desenvolvem diverticulite não complicada (ou diverticulite leve), que se caracteriza por dor (mais comumente na parte inferior esquerda do abdômen), febre não muito elevada, náuseas, e alterações no hábito intestinal (constipação ou diarréia). No exame de tomografia computadorizada abdominal costuma haver apenas espessamento das paredes do cólon sigmoide e, eventualmente, pequenas quantidades de líquido livre no abdome.

O tratamento para esses casos leves de diverticulite é clínico e envolve repouso intestinal (ou seja, dieta líquida e sem resíduos inicialmente, seguida de dieta pastosa e rica em fibras, posteriormente). Costumam também ser prescritos antibióticos orais.

Quando ocorre febre alta, dores abdominais intensas e difusas além da incapacidade de alimentação, temos uma diverticulite grave. O tratamento nestes casos costuma requerer hospitalização para acompanhamento e a administração de antibióticos por via endovenosa.

Em 15% a 20% dos pacientes com diverticulite, complicações mais sérias podem ser identificadas, tais como abscessos, fístulas, perfuração livre, estenose, obstrução, peritonite, e hemorragia intestinal. Após um primeiro episódio agudo de diverticulite cerca de 30% dos pacientes irão apresentar o quadro novamente, particularmente no primeiro ano de evolução, e a taxa de recorrência, em cinco anos, pode atingir 54%.

Quando não há resposta ao tratamento clínico, ou quando surgem complicações como as citadas acima, pode ser indicada cirurgia para a remoção do cólon sigmoide e do segmento superior do reto.

O que fazer afinal?

Devido às suas complicações, a diverticulite é uma doença grave e pode gerar sérias complicações, se não tratada corretamente. A manutenção de hábitos alimentares saudáveis é imprescindível para a prevenção de crises de diverticulite. No caso do aparecimento de sintomas como os citados no texto, procure imediatamente um coloproctologista.

Na Colono temos especialistas capacitados a lidar mesmo com os casos mais desafiadores de diverticulite e prontos para atender você!

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