Ultrassonografia Anorretal

Ultrassonografia Anorretal

A Ultrassonografia é um exame realizado por ondas acústicas que geram imagens ao refletir ou passar pelos tecidos, reproduzindo com detalhes a estrutura física do local.

Na Coloproctologia, o exame de Ultrassonografia é realizado no canal anal e no reto utilizando-se um transdutor rotatório que nos permite visualizar as estruturas que os formam e regiões periféricas, gerando imagens radiais ao longo de toda sua circunferência.

No canal anal é possível visualizar a camada submucosa, a camada superficial do canal anal e a musculatura responsável por preservar a continência anal e a coordenação dos movimentos evacuatórios: o esfíncter interno do anus, o esfíncter externo do ânus e o músculo puborretal. No caso do exame realizado no reto, podem ser individualizadas suas camadas e visualizado o mesorreto, camada gordurosa que contém os gânglios linfáticos que circundam o reto.

O exame fornece informações visuais destas estruturas, detectando a existência ou não de lesões.

A Ultrassonografia Anorretal identifica tumores e permite avaliar as estruturas comprometidas e o seu estágio de desenvolvimento, ou seja, se são iniciais ou avançados. Assim, possibilita definir a melhor forma de tratamento e a seleção de pacientes que podem se beneficiar de procedimentos minimamente invasivos. Também é útil para avaliar a resposta tardia à Radioquimioterapia.

Outras indicações comuns são o abscesso anal, com ou sem fístula anal, em que se podem identificar todos os elementos do complexo fistuloso, ou seja: o trajeto fistuloso (e suas relações com as estruturas musculares do canal anal), seu orifício interno (que muitas vezes não pode ser reconhecido ao exame físico), extensões ou trajetos secundários (que, se não identificados e não abordados no momento da cirurgia, podem determinar recorrência dos sintomas e tornar necessária nova cirurgia) e lojas ou coleções (abscessos) associadas.

Os abscessos podem ser detectados mesmo em suas fases iniciais ou quando profundos (e de difícil detecção ao exame físico) pela Ultrassonografia Endoanal combinada ou não com a Ultrassonografia Endorretal.

Já as fístulas anais, decorrentes dos abscessos no canal anal após sua drenagem espontânea ou cirúrgica, tendem a evoluir como fístulas em até 35% dos casos. Pode ser percebida pelo paciente como um pequeno orifício ou nódulo ao redor do ânus, de onde sai contínua ou intermitentemente secreção amarelada ou de cor achocolatada (pus com ou sem sangue) ou mesmo sangue. Pode haver dor ou prurido (coceira), além de mau-cheiro. O tratamento é cirúrgico nesses casos, e o exame é importante para orientar o procedimento e a escolha da técnica mais adequada, evitando lesões indesejadas à musculatura anal e conseqüente incontinência fecal após a cirurgia.

Na COLONO utilizamos o moderno equipamento ERISON ER12, que consiste em um transdutor portátil de 360o, com frequências ajustáveis. Por se tratar de equipamento bastante portátil, podemos utilizá-lo em qualquer ambiente da clínica e mesmo no Centro Cirúrgico, um importante auxílio na tomada de decisões operatórias, como nos abscessos ocultos.

Outra situação em que o exame é fundamental é na incontinência fecal, principalmente em mulheres que tiveram partos normais ou pessoas que passaram por situações onde é possível encontrar lesões na musculatura anal (como cirurgias ou lesões traumáticas do ânus), proporcionando diagnóstico preciso e possibilitando a escolha do melhor tratamento para cada caso.

Em alguns casos a Ultrassonografia pode ser complementada pela Eletromanometria Anorretal, que fornece informações específicas sobre o funcionamento do órgão. As informações de ambos os exames são interpretadas em conjunto para um diagnóstico mais preciso e o planejamento do tratamento mais adequado para cada caso.

O exame é indolor na maior parte das vezes e o incômodo por ele causado assemelha-se ao do toque retal realizado durante o exame físico. Em casos selecionados, pode ser necessária sedação ou anestesia.

O exame é rápido, durando cerca de 10 minutos e o laudo é liberado em seguida. O paciente em geral não recebe sedação e não precisa de qualquer preparo ou jejum, podendo retornar em seguida às suas atividades habituais.