Cápsula Endoscópica

Cápsula Endoscópica

As endoscopias por Cápsula Endoscópica foram introduzidas comercialmente no início da década passada. Trata-se de uma sofisticada tecnologia desenvolvida em Israel, a princípio com o objetivo de avaliar o intestino delgado, uma longa “zona cega”, onde a endoscopia digestiva alta e a colonoscopia apenas conseguem avaliar os centímetros iniciais e finais. Neste exame, o paciente engole uma cápsula um pouco maior que um comprimido de polivitamínicos. Minutos antes, sensores são instalados na parede abdominal e um cinto com um gravador de dados é colocado no paciente.

Há diferentes tipos de cápsulas, conforme a finalidade do exame e os segmentos intestinais que se pretende avaliar – intestino delgado ou intestino grosso (cólon).

As cápsulas possuem uma ou duas pequenas câmeras digitais, bem como quatro LEDs ao redor de cada câmera. Possibilitam a aquisição de imagens num ângulo que pode ser de quase 360o no caso das cápsulas de cólon. São obtidas entre 3 e 35 imagens por segundo a depender dos movimentos peristálticos intestinais e do modelo da cápsula.

As imagens são transmitidas em tempo real e por radiofrequência para os receptores instalados no abdome ou no cinto e armazenadas no gravador de dados. O paciente retoma suas atividades habituais e, onze horas depois, retorna à clínica para retirada do gravador e dos sensores. Cerca de 120.000 imagens são geradas e, após transferidas para um computador de alta capacidade de processamento gráfico, analisadas pelo médico, com o auxílio de um software específico.

A grande novidade é a PillCam Colon 2 – a nova geração de cápsulas endoscópicas do cólon. Agora esta tecnologia está disponível pela primeira vez em Brasília na COLONO – Clínica do Aparelho Digestivo. Com ela, podem ser obtidas imagens de boa qualidade também do cólon, sendo um exame muito útil naqueles pacientes que não podem fazer uma colonoscopia ou cujo exame não pôde ser completado por razões técnicas, já que não requer sedação e não gera desconforto algum.

O equipamento utilizado pela COLONO é a última versão do sistema PillCam, da Given Technologies, o fabricante que desenvolveu a tecnologia. Desta forma, a mais recente cápsula para investigação do intestino delgado (PillCam SB3) também está disponível.

A ideia que deu origem à cápsula endoscópica surgiu em uma conversa entre um engenheiro e seu vizinho gastroenterologista. O intestino delgado era uma área de difícil visualização, uma vez que o endoscópio alto e o colonoscópio apenas alcançam os seus primeiros e últimos centímetros. Como se trata de um segmento muito longo do tubo digestivo e bastante móvel dentro do abdome, a maior parte de seus cinco a oito metros de comprimento ficavam “às escuras”.

A solução foi desenvolver uma pequena cápsula, pouco maior que um comprimido de vitaminas, que pudesse ser engolida. Nesta cápsula, teria de haver uma microcâmera (atualmente, as de cólon têm duas), lâmpadas de LED para iluminação, uma ou duas lentes grandes angulares, uma antena de radiofrequência, um microchip para processamento digital das imagens e baterias suficientes para uma autonomia de 8 a 11 horas de funcionamento ininterrupto. E, além disso, todos esses componentes deveriam ser protegidos das diversas secreções (ora ácidas, ora alcalinas) presentes ao longo do tubo digestivo.

O resultado pode ser compreendido na segunda figura que acompanha este texto, em seu canto inferior esquerdo. O desenvolvimento deste dispositivo só foi possível graças aos avanços da nanotecnologia. As imagens obtidas são então transmitidas e captadas por receptores (antenas), as quais são dispostas sobre o corpo e conectadas a um gravador de dados (em cima e à esquerda está o gravador de dados. À direita, é possível ver uma paciente com o conjunto instalado).

O conjunto produz, transmite e armazena cerca de 120.000 imagens que serão processadas digitalmente e interpretadas pelo médico examinador. A cápsula é descartável e não tem como ser utilizada novamente. Afinal, uma vez ativada a bateria se esgota após 8 a 11 horas de uso. Ela é desprezada junto com as evacuações e, frequentemente, o paciente sequer percebe sua eliminação.

INFORMAÇÕES PRÁTICAS
  • O exame não é considerado invasivo e não requer sedação ou anestesia. A progressão da cápsula pelo intestino é indolor e não é percebida pelo paciente.
  • A eliminação da cápsula é em geral indolor e, muitas vezes, não é percebida pelo paciente. A cápsula é descartável e não tem como ser reaproveitada. Afinal, a bateria é acionada no momento em que a cápsula é removida de seu invólucro original e tem duração limitada a 8 a 11 horas, conforme o modelo. Não tem como ser substituída ou recarregada.
  • O exame da cápsula endoscópica também é conhecido por “enteroscopia por cápsula” (no caso do exame do intestino delgado) ou “colonoscopia por cápsula”(no caso do exame do cólon).
  • A colonoscopia por cápsula, apesar de ter indicações semelhantes às da coloscopia virtual, não deve ser confundida com esta. A colonoscopia virtual, também chamada colonografia por tomografia computadorizada, é um exame radiológico – uma modalidade de tomografia computadorizada que estuda a superfície do intestino grosso após limpeza intestinal e insuflação do cólon. É realizada por radiologistas, em clínicas radiológicas ou hospitais.
  • Para uma adequada visualização das paredes intestinais internas, é necessário que o intestino esteja limpo e seu conteúdo seja líquido e claro. Por este motivo, é necessária uma dieta especial e, nos casos do exame do cólon (intestino grosso), um preparo intestinal de modo a remover as fezes do intestino. Neste último caso, uma dieta rigorosa e o uso de laxantes durante o exame para acelerar o funcionamento do intestino (e a progressão da cápsula) é necessária.
  • Determinados medicamentos que interferem com o funcionamento do intestino, principalmente aqueles que o fazem funcionar mais lentamente, podem ter seu uso suspenso antes do exame, conforme orientações do médico. Por isso, uma lista com todos os medicamentos utilizados pelo paciente deve ser levada à consulta de orientação do exame.
  • Todas as informações sobre o preparo, a dieta e os procedimentos do exame são explicadas em consulta de orientação (ou seja, uma consulta anterior ao exame), bem como são fornecidas orientações por escrito. O paciente terá o telefone celular do médico examinador para que possa se comunicar com ele durante o exame em caso de quaisquer dúvidas.
  • Há poucas contra-indicações ao exame da cápsula endoscópica, como a impossibilidade de seguir às orientações ou fazer o preparo, o uso de marca-passo cardíaco e obstruções intestinais manifestas ou suspeitas. Seu médico saberá se você se enquadra em alguma dessas situações.

capsula-endoscopica-1