Um pouco da história dos Hugentobler no Brasil

Junto com os imigrantes que falavam a língua alemã, provenientes da Prússia, e que chegaram ao Brasil no início dos anos 1800, estava um casal de primos, de sobrenome Hugentobler, vindos de Bevaix, Neuchâtel, na época um dos cantões da Suíça, pertencente à Prússia.

Instalaram-se em São Leopoldo, onde casaram em 1849. Adquiriram mais tarde, de Tristão Monteiro, terras localizadas em Taquara do Mundo Novo, na estrada que liga, atualmente, Taquara a São Francisco de Paula. O local é denominado, até hoje, de Picada do Francês, em alusão à língua francesa que era falada pela família.

Para entender por que na época aquela parte da Suíça fazia parte da Prússia, segue abaixo breve relato histórico.



SUIÇA – SÉCULO XIX
DOIS MUNDOS FACE A FACE

A Suíça da época de 1840 é politicamente instável. Duas visões do mundo se afrontam sem piedade. De um lado há os conservadores, ardentes defensores da soberania dos cantões e das prerrogativas das Igrejas. De outro lado, os liberais e os radicais, partidários de um poder central forte, de uma economia aberta e da igualdade de direito do voto universal (principalmente para os radicais) e da liberdade da imprensa.

A Suíça católica pende, na maioria, no sentido do conservadorismo, enquanto que a Suíça protestante se identifica distintamente com a idéia de uma reforma no país. Este antagonismo religioso exacerbava ainda mais as paixões.


O PACTO FEDERAL DE 1815 COMO ENTRADA

Mais tarde, a rivalidade política entre os dois movimentos vai se cristalizar sobre a revisão do Pacto Federal de 1815. Este havia sido adotado na queda de Napoleão após 17 anos de turbulências marcadas principalmente pela efêmera República Helvética (1798 – 1803).

O pacto representava uma aliança entre os estados soberano. A Assembléia Política (La Diète) que se compõe de deputados dos 22 cantões da época, constituem a autoridade suprema. São estes que declaram guerra, concluem alianças com os estrangeiros e estabelecem os tratados de comércio. Para as decisões importantes são necessários ¾ dos votos; para as demais, a maioria absoluta é suficiente.


A ASCENÇÃO DO PERIGO

A Revolução de julho de 1830 na França acelerou a idéia liberal dentro da Suiça. Em um ano, 12 cantões modificaram suas constituição, arrebataram a Assembléia Política (La Diète) sobre a direção de uma reforma do Pacto Federal de 1815.

Entretanto, por duas vezes (1831 e 1832) os projetos de revisão não tiveram êxito. Estes bloqueios levaram a uma situação política difícil. Enquanto que os liberais se excediam sobre a esquerda, por suas idéias radicais, cunhavam um anti-clericanismo marcante. A tensão desviou-se em 1841 quando o governo radical da Argóvia decidiu fechar oito conventos; os católicos do cantão se revoltaram contra uma revisão constitucional desfavorável.


NEUCHATEL – UM POUCO DE HISTÓRIA

Os primeiros habitantes da região foram uma tribo Celta, a Helvetia. Os romanos apareceram em 107aC.

Mesmo que habitada desde a idade do ferro, a presença de vilas na área que veio a ser Neuchâtel, foi melhor conhecida por documentos escritos no ano de 998.

Habitantes de Burgundy foram os fundadores de Neuchâtel alguns anos mais tarde.

Em 1011, Rudolph III de Burgundy, presenteou sua esposa Irmengarde com um novo castelo (neu châtel) à beira de um lago. Os primeiros condados de Neuchâtel foram nomeados logo em seguida e, em 1214, seus domínios foram oficialmente nomeados uma cidade. Por três séculos o Condado de Neuchâtel prosperou e, em 1530 os habitantes de Neuchâtel aceitaram a Reforma e a cidade e o território foram proclamados indivisíveis a partir daquela data. Foram necessárias futuras leis para garantir a posse dos habitantes.

Durante a Reforma e sua introdução por Guillaume Farel, os anos após 1531 viram um rápido aumento da população, maior ainda após a revocação do “Edit de Nantes” em 1685, com a chegada dos Hugenotes. Durante aqueles anos, Neuchâtel era regida por Henri II e Marie de Nemours, da família Orleans-Longheville. Henri II tinha planos de transformar Neuchâtel o 14° Condado da Suiça e assim deligar-se da França.

Com o aumento do poder e prestígio Neuchâtel foi elevada ao nível de principado no início do século 17. Em 1707, com a morte de Maria de Orleans, Duquesa de Nemours e Princesa de Neuchâtel, o povo teve que escolher seu sucessor entre 15 candidatos. Eles queriam que seu novo príncipe fosse, antes de tudo, um protestante, e também que fosse forte o suficiente para proteger seu território mas residindo suficientemente longe para deixá-los tomar suas decisões. Luiz IVX incentivou muitos dos pretendentes franceses ao título, mas o povo de Neuchâtel os preteriu em favor de Frederico I, Rei da Prússia, que reivindicou seu direito à posse numa forma bastante complicada, através das Casas de Orange e Nassau. Durante o século 18, com a estabilidade necessária assegurada, Neuchâtel entrou na era dourada, com comércio e indústria (incluindo a fabricação de relógios e rendas), a “Automatons” (início da inteligência artificial por Jaquet-Droz em 1770) e a indústria gráfica (a publicação de livros era proibida na França) e a presença de Jean Jacques Rousseau, que viveu em Môtiers de 1762 a 1765.



No início do século XIX, o rei da Prússia foi derrotado por Napoleão e forçado a entregar Neuchâtel em troca de Hanover. O Marechal de Napoleão, Berthier, foi declarado Príncipe de Neuchâtel, construindo estradas e recuperando a infra estrutura mas nunca realmente tomou posse de seu domínio. Após a queda de Napoleão, Frederico III da Prússia recuperou os direitos, propondo que Neuchâtel fosse ligada aos demais cantões da Suiça (a melhor maneira de exercer influência sobre os demais). Em 12 de setembro de 1814, Neuchâtel tornou-se o 21º cantão, mas também permaneceu um principado da Prússia. Uma revolução sangrenta ocorreu nas décadas seguintes até que Neuchâtel abandonou seu passado principesco. Em 1 de março de 1848 o Cantão foi declarado uma república e parte da Suiça. Em 11 de abril de 1848 as cores oficiais do Cantão foram determinadas, sendo verde, branco e prata. Estas cores foram escolhidas deliberadamente, por não serem parecidas as cores antigas do Condado de Neuchâtel. Em adição, foi adotado o uso de uma cruz na parte vermelha da bandeira, criando uma bandeira que, com exceção da cruz, era idêntica à bandeira da Itália. Não havia descrição de uso de um novo brasão para a república.

Durante o século XIX a bandeira foi algumas vezes transformada em brasões e o presente brasão foi algumas vezes usado, mas nunca oficialmente adotado. Até hoje, a República de Cantão Neuchâtel é a única dos 26 cantões a hastear orgulhosamente uma bandeira tricolor – verde, branca e vermelha, com uma pequena cruz Suíça no canto superior.








Rough Guide to Switzerland – Rough Guides Ltd., citado em
http://switzerland.isyours.com/e/guide/arc_jurassien/neuchatel.history.p.html

Mühlmann, L. : Wappen und Fahnen der Schweiz, Bühler Verlag, Lengnau, 1977 e 1997.
http://www.ngw.nl/int/zwi/kanton/neuchatel.htm

Mapas, bandeiras e brasão, extraídos em 31/08/05, da URL http://www.atlasgeo.ch

Atualizado em jan/2009 - Pesquisa de dados e conteúdo histórico: JOANA ELISABET DEFFERRARI - jed@webmail.defferrari.com.br